“Hoje está uma noite quente, mas a chuva lá fora ameaça cair em breve. Estou aqui sentado em minha sala com minha dose de whisky com gelo. Me sinto tão cansado quanto todos os dias. Falta de folego causada por vários cigarros durante anos é só mais um dos problemas causados pelo stress do dia-a-dia, assim como minha fiel dor de cabeça que me acompanha até agora. Já faz tempo desde que me fechei, resolvi mudar e deixar de amar. Muito mais tempo ainda que deixei de ser amado. Não culpo ninguém, afinal gostar de alguém frio e insensível como eu não é facil. Passo então os dias no consolo de um maço de cigarro, uma garrafa de Jack Daniel’s e na companhia de algumas prostitutas. E apesar de tudo ainda lembro da última vez que quis amar. Fico pensando em como ela está, o que anda fazendo, se tem emprego, onde mora… será que se casou? Posso imaginar algumas dessas respostas. E posso imaginar também como seria encontrá-la. Ela diria que sentiu minha falta, mesmo sem lembrar de mim antes. Diria que sentia saudades da época em que éramos amigos, e o que mais tenho certeza: todos os erros teriam se repitido. Ela teria ficado e casado com o cara errado, e eu… bom, meu erro seria que mesmo depois de me tornar incapaz de amar até o mais fofo dos cachorrinhos, iria me apaixonar por ela novamente. Aliás, algum dia eu deixei de ama-la? Pensando bem, acho que não sou tão insensível assim, já que lembro das sensações de gostar dela… Agora está fazendo mais sentido… Acho que vou parar de fumar antes que seja tarde de mais.”
Uma perspectiva não tão ruim sobre uma vida ruim.
Notas